A estratégia da sauna filandesa

A estratégia da sauna finlandesa
As fronteiras das Humanidades Digitais: Ensaio de geografia política de uma comunidade científica.

Versão portuguesa: La estrategia de la sauna finlandesa
Por Marin Dacos, 1 jun. 2013
https://bn.hypotheses.org/11138

Traduzido por:
Dália Guerreiro
Maria Isabel

 

Resumo

Fala-se de Humanidades Digitais! Mas será que as Humanidades Digitais existem como comunidade unida e coerente? O governo desta comunidade é equilibrado e democrático? Até agora, ainda não tinha havido um estudo acerca desta comunidade, sustentado por um inquérito que abrangesse todos os seus membros, numa perspetiva multilinguística e geográfica. O inquérito “Who are you, Digital Humanists?” – lançado no THATCamp Luxemburgo (2012), e divulgado durante o DH2012, Hambourg – permitiu juntar uma amostra incompleta, ainda que significativa, de 850 indivíduos que aceitaram responder ao nosso questionário. Constatou-se, por um lado, uma grande diversidade linguística e geográfica, tendo havido um grupo de não participantes, por não terem visto o inquérito ou por não lhe terem prestado atenção, e, por outro lado, a exceção do inglês como primeira língua, a par da sua predominância como segunda língua. Revelou-se que as Humanidades Digitais estavam muito marcadas pela História e pelos estudos clássicos, mas muito pouco, realmente muito pouco, ligadas às disciplinas que se interessam pelo mundo contemporâneo, sejam as ciências da Web, ou as relacionadas com a mineração de dados e de textos. Descobriu-se também um evento de grande importância, o encontro Digital Humanities 2012, cujo tema era a diversidade cultural e que foi presidido pela Europa, América do Norte ou, mais precisamente, pelo Reino Unido e as sua ex-colónias (Irlanda, Canadá, Estados Unidos de América, Austrália). Diríamos que a anglofonia voltou a marcar pontos. A fim de medir os progressos da diversidade no âmago do poder da nossa comunidade, este artigo propõe a criação de um indicador, o Digital Humanities Decision Power (DHDP), para calcular a distância entre os grupos de Humanidades Digitais e medir as suas faculdades na peritagem e nos procedimentos de seleção científica. Com base neste indicador, seria necessário um debate coletivo para tornar a nossa comunidade mais aberta à diversidade linguística e geográfica. A isso, nós chamamos a estratégia da Sauna finlandesa.

Documento integral em PDF

 

Bibliotecas e Humanidades Digitais #DayofDH 2016

Bibliotecas e Humanidades Digitais

Nada melhor para o Dia das Humanidades Digitais do que escrever mais umas páginas na tese “Bibliotecas Digitais para as Humanidades: novos desafios e oportunidades”.  Este estudo insere-se no âmbito das Humanidades Digitais, que procura aproximar os investigadores de humanidades das vantagens que as novas tecnologias têm para lhes oferecer, ao mesmo tempo que procuram incrementar a aplicabilidade dos recursos existentes e viabilizar novas soluções. Nessa ótica, este estudo visa analisar como aumentar a eficiência das atuais bibliotecas digitais para o ensino e para a investigação.

Ainda neste âmbito ontem numa pequena localidade de Portugal, Castro Verde, integrada no ciclo de conferências “Leituras a Sul”, apresentei a comunicação “Bibliotecas Digitais: do crer ao fazer”. Uma forma de trazer para junto dos responsáveis locais as problemáticas em torno das Bibliotecas Digitais, em sentido lato, de forma a que todos, investigadores e população possam usufruir da cultura e do saber. Quais os limites, legais e éticos, que a disponibilização em linha implica.

O contato com o Arquivo Municipal e com o acervo do Museu da Ruralidade, foi muito positivo. Pois além da guarda dos documentos que os planos de classificação impõem aos arquivos, há toda uma outra realidade a ser recolhida, selecionada, inventariada, a história da região. Os Arquivos Municipais deveriam criar, pelo menos, politicas para a salvaguarda desse vasto património textual que importa para as comunidades. Deveria ser realizada uma refleção, com arquivistas, poder autárquico e forças vivas de cada município, sobre o que guardar, como guardar e como o disponibilizar.

 

Day of Digital Humanities #DayofDH

 

Desde 2013 que participo no dia das Humanidades Digitais (ver 2013, 2014, 2015)

2013 site

2014 site

2015 Sites site
É importante participar, ao estar registado no sitio eletrónico encontramo-nos em contacto com os colegas que um pouco por todo o mundo tentam dar vida ao termo Humanidades Digitais. Por outro lado, temos acesso aos vários projetos que estão a ser desenvolvidos, nas diferentes áreas. Ficamos com uma visão de conjunto dos atores e projetos. Estabelecem-se afinidades, vê-se a progressão, reencontram-se colegas.

 

Dália Guerreiro

PhD student in Information Sciences and Documentation in University of Évora; master of Information Studies and Digital Libraries, by ISCTE-IUL; postgraduate in Information Sciences and Documentation, Libraries’s variant, by ISLA – European University; and graduated in Physics, by the Faculty of Sciences, University of Lisbon. Member of the Interdisciplinary Center for History, Culture and Societies of the University of Évora / Foundation for Science and Technology, as a researcher on the Line 3 – Libraries, Literacy and Information in the South (CIDEHUS-UÉ/FCT – LIBIS). Research Scholarship from the Foundation for Science and Technology (FCT). Member of the team that initiated and developed the design of the digital library and the National Library and, in DigiCult-Digital Productions, of which she is a member, has held the metadata and digital editing for digital libraries of the University of Lisbon and the University of Coimbra, among others. Blogue: https://bdh.hypotheses.org/

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Shaw, H., & Madden, F. (1833). Illuminated ornaments: Selected from manuscripts and early printed books, from the sixth to the seventeenth century. London: W. Pickering. Estampa XXXII.
https://archive.org/details/illuminatedornam00shaw